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Capital Internacional e Finanças Internacionais

Mais um artigo que começa fazendo referência a um filme; no caso Parque dos Dinossauros, o primeiro. Eu não sei se o diretor e o roteirista planejaram conscientemente a cena, mas no primeiro passeio experimental pelo parque (que foi criado pensando em atrair turistas), havia dois veículos guiados por controle remoto. Nesses veículos viajavam um menino e uma menina, netos do criador do parque, um representante dos financiadores do parque, e três cientistas - um matemático, um paleontólogo e uma botânica - que deveriam ser consultores técnicos e avalizadores da segurança e do potencial do parque. Pois é, uma série de coisas dá errado e algumas destas pessoas ficam a mercê de um t-rex redivivo. O representante do capital sai correndo e deixa os outros para trás; a menina em estado de choque fica gritando repetidamente "Ele nos deixou! Ele nos deixou!". Repito que não sei se foi consciente, mas há a metáfora: em um momento de crise o capital pode fugir em disparada, por mais irracional que isso pareça.

Escrevo isso tudo a propósito de fatos tidos e sabidos. A Argentina passa por grande crise, decorrência de uma série de decisões equivocadas tomadas por seus dirigentes, apoiadas por agências internacionais e governos amigos.

No início da década de 1990, a Argentina congelou o câmbio do país. Notícia velha. Na metade da mesma década, com os primeiros sinais de recessão, pensou-se que o sistema bancário corria riscos. Privatizaram-se bancos estatais e foi estimulada a aquisição dos bancos argentinos por bancos internacionais, pois estes ofereceriam mais liquidez e segurança. Outra notícia velha. Pois bem, agora o país quebrou e os tais grandes bancos internacionais? Eles não têm em seus cofres o dinheiro que informaram aos seus correntistas que deveriam ter. Resultado: intervenção do governo e leis para evitar que os correntistas possam sacar todo o seu dinheiro dos bancos. Alguns dos grandes bancos internacionais simplesmente abandonaram o país, como o Scotiabank canadense e o Crédite Agrícole francês.

Interessante que aqui no Brasil houve gente que pensou em fazer o mesmo. Entraram aqui Santander, ABN, HSBC, Bilbao Viscaya. Contudo permaneceram alguns grandes bancos brasileiros: Bradesco, Itaú e Unibanco. E embora se desconfie que houve gente no governo federal lançando balões de ensaio para privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, isto não foi feito.

Ainda bem! Corríamos o risco de terminar como a menina do filme: "Eles nos deixaram! Eles nos deixaram!".