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Carta Aberta ao Rogerio Mendelski

Porto Alegre, 21 de Marco de 2002.

Caro Mendelski:

Em primeiro lugar, quero te parabenizar pois o teu programa, na Rádio Gaúcha, o Gaúcha Hoje, é um autêntico fenômeno de audiência.

Trabalho numa empresa pública e entre meus colegas há muitos que amam te odiar, pois te criticam, mas a maioria ouve o teu programa.

Eu mesmo diria que não concordo em muitas coisas que dizes mas sempre que consigo escutar o rádio antes de ir trabalhar, ele está na Gaúcha.

Eu te acho bastante conservador politicamente, mas devo reconhecer que o programa é democrático a ponto de dares espaço a resposta para pessoas que tenham sido criticadas no programa; claro, desde que a resposta não possua um conteúdo impublicável. A propósito, aquela palavra "mas" acima está errada; conservador não é um termo que deva ser pejorativo, é uma posição política válida, assim como liberal, ou reformista. Importante mesmo é que haja o parlamento onde essas posições possam chegar a acordos que sejam benéficos para a maior parte da sociedade. Consequentemente, é provável que alguém se sinta prejudicado com decisões tomadas em parlamentos.

Mas Mendeslki, acho que te falta uma coluna na Zero Hora aonde poderias falar sobre uma vasta gama de assuntos tais como as tuas impressões de viagem, os teus gostos musicais, as tuas aventuras, como aquela através da quase ex-Estrada do Inferno, e as tuas opiniões sobre quase tudo que nos afeta: qual a solução para a violência no nosso estado? qual a solução para a violência no nosso país? como diminuir a quantidade de vítimas no trânsito? o atual governo do estado promove cidadania ou anarquia? o governo do estado, apesar de ser de esquerda, é orçamentariamente conservador? por que a dívida pública aumentou tanto com um governo que trouxe à legislação o conceito de responsabilidade fiscal para autoridades públicas? os Estados Unidos não deveriam realizar novas eleições com aquele problema todo que deu? o presidente dos Estados Unidos não se tornou Caesar de fato do mundo atual, após os atentados de 11 de setembro de 2001? O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, não está enrolado no caso da Enron? e que tal a idéia de produzir pequenos artefatos nucleares e com esses artefatos bombardear países que não possuem armamento nuclear? a partir disso não deveria o Brasil investir em pesquisas para produzir sua própria bomba? como resolver o conflito entre israelenses e palestinos? o Irã, com eleições periódicas não é uma democracia?

Como tu vês, há várias perguntas, e provavelmente outras na minha cabeça. Tu, como jornalista, talvez digas que tens que fazer as perguntas e não respondê-las. Mas mesmo assim acho que seria proveitoso se pudesses ter uma coluna sobre tudo isso. Serias o nosso equivalente regional do falecido(e saudoso para mim) Paulo Francis.

Um abraço,

Jose Alfredo Rodrigues