A.D. 2002. Este ano o pastor faz 60 anos, e, a propósito, a igreja também comemora 70 anos. Efeméride por efeméride, nossa Porto Alegre também faz 230 anos(a cidade foi até tema de enredo de escola de samba no Carnaval do Rio de Janeiro).
Mas certamente não comecei a escrever para falar do aniversário da cidade, e nem mesmo do aniversário de nossa igreja, que tão bem tem me acolhido ao longo dos últimos treze ou quatorze anos.
Escrevo um pouco para exorcizar a tristeza, um pouco para me consolar. Afinal o aniversário do pastor de uma igreja com mais de 200 membros é comemorado com a igreja. Não é coisa que se comemore com um pequeno grupo de pessoas, como quando aconteceu logo que o conheci, lá pelos idos dos anos 80, do século XX.
Naquela época lembro que fui pela primeira vez à casa do pastor, que era reitor do Seminário, e morava em uma casa nos fundos do Colégio Batista. Quando fui visitá-lo, se não me engano, fui o último a chegar. O pastor e sua esposa já estampavam um certo cansaço em suas faces. Mas havia o bolinho tradicional e um pequeno número de pessoas. Uma festa familiar...
As coisas mudaram. O pastor não é mais reitor; é pastor de uma razoavelmente grande igreja. O tempo marcha, o tempo urge! Hoje quando falamos, falamos de tecnicalidades e administratividades(claro, sempre espiritualmente, pois as tecnicalidades e administratividades são sobre a igreja, e a igreja é a comunidade dos eleitos, instrumento da graça); ou então palavras de aconselhamento e advertência pastoral para mim.
Julho vai chegar e a igreja toda irá comemorar o aniversário do seu pastor.
Não poderei conversar com ele à vontade entre poucas pessoas. Um pastor é um pai de muitas almas! Dificilmente poderei perguntar como ele avalia o passado, ou quais são seus planos para o futuro. Não gozarei da intimidade dele nesse dia. O ciúme e a inveja(pecados mortais segundo Santo Agostinho) vão chegar,...mas vão passar, pois não cabe ao filho de Deus abrigar estes sentimentos. Com um suspiro de tristeza hei de sobreviver!