Você viu o filme "Sociedade dos Poetas Mortos"? Gostou? Achou muito chato? Ou então você já cansou dos filmes virtuosistas/moralistas/sentimetalóides com o Robin Williams e não quer mais nem lembrar dele? Ora vamos, este filme não era tão ruim assim.
Ah, você não viu! Então vamos contar algo do filme. Se você viu o filme pode pular este parágrafo. Pois bem, no tal filme a ator Robin Williams é um professor que chega para ensinar literatura num colégio equivalente ao nosso segundo grau("high school" para quem quiser aumentar seu vocabulário da língua inglesa). O tal colégio ministra aulas apenas para meninos, é extremamente conservador, e se orgulha de ter sido capaz de colocar muitos de seus ex-alunos nas melhores universidades dos Estados Unidos. Pois o tal professor chega como um revolucionário no tal colégio. Quer que os alunos vão além da teoria dos manuais, afirma aos alunos que eles devem pensar por si, chegarem às suas próprias conclusões, e aproveitarem as suas vidas. Cita bastante a expressão latina "carpe diem", isto é, aproveite o dia, aproveite o tempo que você tem para viver. Logo no início de suas aulas ele sugere aos seus alunos que rasguem a introdução do livro texto de literatura, e subam em cima (é, não dá para subir embaixo) de suas classes(ou carteiras, como queiram) para que possam ver o mundo de um ponto de vista diferente.
Eis aqui aonde quero chegar! Mude seu ponto de vista. Desde minhas aulas no curso de Matemática na faculdade, me dei conta que a Terra flutua no espaço. Ora o espaço não possui lado de cima ou lado de baixo, então por que estamos acostumados a colocar o Norte como em cima, e o Sul como embaixo? Certamente porque somos um apêndice da sociedade européia que nos "descobriu" aqui no século XVI, e desde então vivemos ao sul da linha do Equador, e portanto, na parte de baixo do planeta.
Ora estar por baixo, normalmente está ligado a termos pejorativos. A parte de baixo da classe trabalhadora contém os trabalhadores com menor qualificação. A base da sociedade é composta pelas pessoas mais despossuídas. Psicologicamente, "estar por baixo" equivale a estar deprimido.
Sugiro então que alteremos nossos mapas. Invertamos nossas representações do globo. E criemos uma demanda para que sejam criados globos e planisférios com o Sul em cima, e o Norte embaixo. Como toda boa civilização etnocêntrica, nos vejamos como o centro do mundo. Eu já comecei a fazer isso.
Já tive duas objeções: 1. Vai complicar a nossa cabeça, pois estamos acostumados a ver o Sul embaixo e o Norte em cima. Minha objeção: o esforço mental vale a pena! 2. O hemisfério Sul tem muito menos terras continentais do que o hemisfério Norte, e, esteticamente, fica pior de vermos o globo em posição invertida. Minha objeção: não há problema, o mundo continuará o mesmo, e logo nos acostumaremos. Também é possível dizer que essa questão estética é discutível.
Quixotesco? Talvez. Mas o que eu ganho deixando tudo como está?
