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Reflexão por Israel (I)

"Eu, o Senhor, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão e te guardarei, e te darei por concerto do povo, e para luz dos gentios; " Livro do Profeta Isaías 42:6.

"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo de suas asas e não quiseste?" Palavras de Jesus no Evangelho de Lucas 13:34.

"E quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: 'Ah! Se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence!Mas agora isto está encoberto aos teus olhos.'" Evangelho de Lucas 19:41,42

Quem, como eu, se converteu à fé cristã evangélica no início da década de 80 do século XX, no Brasil, provavelmente foi fisgado pela Escatologia(isto é, a doutrina teológica que tem a ver com as últimas coisas, em última instância o juízo final) Pré-Milenista, a qual sustentava que uma série de eventos físicos(terremotos, fomes, chuvas de meteoros, etc...), espirituais(sincretismo religioso, fanatismo, ...), e políticos(guerra entre as nações), culminariam com a volta de Jesus, em glória e triunfo, para que Ele estabelecessesobre a terra um Reino de Mil Anos, de paz, abundância e justiça.

Dentro dessa visão dos últimos dias, o estado de Israel cumpria papel fundamental pois o surgimento de um estado para o povo judeu cerca de 2000 anos após a expulsão dos judeus da Palestina e sua dispersão pelo Velho Continente só poderia ser sinal do cumprimento das profecias bíblicas. Além disso, esse estado surgiu apenas três anos após a revelação ao mundo dos campos de extermínio nazistas, e da destruição de toda uma cultura judaica que existia no leste da Europa. E ainda há a acrescentar que este estado de Israel resistiu a três tentativas de destruição por parte de seus vizinhos nas guerras de 1948 (Independência), 1967 (Seis Dias) e 1973 (Yom Kippur), sendo que na Guerra de Independência o "exército" de Israel era muito mais improvisado e menos aparelhado que os cinco exércitos combinados que invadiram a Palestina para "jogar os judeus ao mar", Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque. Como não crer no cumprimento das profecias, na volta eminente de Jesus, e como não ver com simpatia a Israel, um povo oprimido, que realizava tão grandes proezas?

O tempo passou, mudei eu, mudou Israel. Não creio mais no Pré-Milenismo tal qual eu cria, embora ainda creia na volta de Cristo, num reino de Justiça e no Juízo Final. Reconheço a minha ignorância acerca da interpretação dos eventos que levarão ao Juízo.

O mundo mudou. Em 1989 caiu o muro de Berlim, monumento da Guerra Fria, e em 1991 uma fracassada tentativa de golpe de estado na antiga União soviética foi o último suspiro das ditaduras socialistas que existiam no leste da Europa. A Guerra Fria acabara. Chegamos ao "Fim da História" como colocou o pensador americano Francis Fukuyama, o que significava, simplificando bastante, que a humanidade chegara ao que de melhor (ou talvez, menos pior) poderia conseguir em termos de organização política e econômica, ou seja, a democracia representativa e a economia de mercado.

Este novo mundo trazia novidades ainda mais alvissareiras. Em pouco tempo aconteceream acordos que visavam acabar com a guerra civil na Irlanda do Norte, e, após muitas conversações secretas na Noruega, palestinos e israelenses se encaminhavam para viver em paz.

Israelenses e palestinos viver em paz? Para mim isso era incrível, fantástico, extraordinário! Mas, de repente, pareceu possível. Era realmente um mundo novo a que chegamos...

Contudo, nem tudo era tão simples...

Em 1995 um colono israelense, daqueles que ocupam a Cisjordânia e a Faixa de Gaza conseguiu assassinar o primeiro-ministro israelense Yithzak Rabin. Na época, a viúva Leah Rabin acusou o partido direitista Likud e seu líder na época, Benjamin Netanyahu, de incitar o ódio que levou ao assassinato.

No decorrer desses anois 90 houve novas eleições em Israel onde direita e esquerda se sucediam, esta tentando avançar nos acordos de Oslo (aqueles da Noruega acima), aquela querendo brecá-los.

Nos últimos três anos aconteceram uma série de fatos que mudaram tudo. O ex-governador do Texas, George Walker Bush, foi eleito presidente dos Estados Unidos com minoria de votos (é, não está errado, ele realmente foi eleito com minoria de votos), o general Ariel Sharon foi eleito primeiro-ministro de Israel, e em 11 de setembro de 2001 terroristas muçulmanos usaram aviões comerciais como mísseis em atentados que mataram cerca de 4000 pessoas em Nova York e Washington. Passado um pouco o choque, o presidente dos Estados Unidos afirmou que iria à forra e caçaria terroristas no mundo inteiro.

Isso foi interpretado pelo general Sharon como uma carta branca para que ele pudesse ir atrás dos "seus terroristas". E assim ele lançou uma grande ofensiva sobre a Cisjordânia primeiro, e depois sobre a Faixa de Gaza.

E aqui se manifesta a face do mal. Já houve quem quisesse comparar Sharon a Hitler, Pinochet ou Milosevic. ainda demorará para aparecer homem comparável a Hitler, não é o caso de Sharon. Pinochet foi um traidor e foi responsável pela morte, tortura e exílio de seus concidadãos. Mas a comparação com Milosevic, ex-presidente da Iugoslávia e atual prisioneiro da Corte Internacional de Justiça em Haia, na Holanda, não é de todo errada. A título de defender seu país ele lançou seu exército contra civis. Infelizmente para Milosevic, não há em Washington um forte lobby iugoslavo para dizer que ele agia legitimamente quando o exército sérvio(iugoslavo) invadia povoados albaneses no Kosovo à procura de "terroristas".

A operação chamada de "Muro Protetor", e que visa "acabar com a infraestrutura terrorista" nos territórios palestinos, está servindo mais para destruir a infraestrutura civil e de serviços que estava sendo criada desde o início da efetivação dos tratados de Oslo, derrubar casas de civis palestinos e humilhar o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. Em resposta ao terrorismo suicida palestino, Israel está praticando terrorismo de estado. O exército de Israel, um grupo de bravos, virou uma tropa de ocupação. E outros demônios ja´estão soltos pelo mundo: aqui no Brasil e nos Estados Unidos, grupos judeus têm se manifestado para apoiar a guerra de Sharon. E segundo o jornal Folha de São Paulo, de 24/04/2002, já houve mais de 300 manifestações anti-semitas na Europa, tais como depredações de sinagogas e violações de cemitérios.

Há 2000 anos Jesus chorou por Jerusalém. Hoje eu choro (e oro) por Israel.